Muitos economistas brasileiros se proclamaram novamente keynesianos, e sugeriram as medidas keynesianas de investimentos e gastos públicos para conter a redução da demanda causada pelo panico de desemprego em massa.
Só que Keynes viveu em outra época, e por isto sugeriu as medidas apropriadas, o que não significa que faria o mesmo hoje.
Na época de Keynes.
1. O estado não controlava mais do que 15% do PIB.
2. As margens de lucro sobre vendas das empresas era de 25% ou mais do custo do produto. Ou seja numa recessão, as empresas não conseguiam vender, porque não havia demanda para cobrir os custos mais este exorbitante lucro.
3. Pouca poupança mundial, 85% do PIB vinha de rendimentos do trabalho, só 15% de juros e dividendos. Hoje somente 60% do PIB americano vem dos rendimentos do trabalho, desemprego não afeta a economia nas mesmas proporções de 1929. Uma das razões, que previamos em 2008 que a Crise não era tão séria quanto os neo-keynesianos previam.
Antes de Keynes, o dogma econômico é que a oferta gerava a sua própria demanda. Antes que uma TV chegasse a loja, os trabalhadores, os fornecedores, os transportadores já receberam pelos seus serviços, com a única exceção dos capitalistas, que dependem da venda efetiva para obterem o lucro.
Portanto segundo o economista Say, recessões deveriam ser combatidos com mais produção, e estímulos a produção, e não com mais estímulos ao consumo, a tese que seria defendida por Keynes, que corriam os risco de serem inflacionários, como de fato foram.
Acontece que ambos Say e Keynes estavam corretos. Como na época de Keynes e Say a margem de lucro embutido nas empresas era de 25% ou mais, sempre faltava 25% de renda para fazer a produção ser escoada. Nem sempre as empresas conseguiam contornar este problema. A oferta só gerava num primeiro momento 75% do consumo, contra 97,5% como atualmente.
Hoje, estes 2,5% que faltam é facilmente contornado pelas empresas, sem a necessidade de intervenção do governo.
Say estaria certo hoje, mas não estava totalmente correto em 1929, daí o surgimento e sucesso de Keynes na época. As margens enxugaram com a concorrência e os novos métodos de produção.
Keynes propunha suplementar os 25% de demanda que faltava com dinheiro do Estado.
Apesar de ser considerado hoje de esquerda, a politica Keynesiana gera benefícios eminentemente para direita, ao privilegiar os capitalistas a realizarem suas elevadas margens de lucro embutidas nos preços.
Hoje politicas Keynesianas muitas vezes são inflacionárias, porque a margem de lucro que falta na demanda global é de somente 2,5%, em média. O mundo mudou, mas a teoria não.
Recent Comments